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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Tadeo, peregrino argentino

 
O Tadeo, peregrino Argentino, veio de bicicleta. Esteve no dia 14 no nosso albergue. Está a fazer o Caminho Português da Costa. Que Santiago e São João da Cruz sejam luz para o caminho!
Aqui vos deixamos o seu testemunho:

 

Lovely place!


Fazer caminho: crónica da peregrinação da Esmeralda e marido em estilo sunquick!

 
1 de Outubro de 2012.
O  percurso do Caminho de Santiago tem esse objectivo: fazer caminho! Unm percurso de 37 anos de união matrimonial exige que se  renove os votos todos os dias; porém, nós fugirmos da rotina e decidimos os dois fazer este percurso do Caminho!
Saímos numa Segunda-feira à aventura. Íamos dispostos a acolher tudo o que nos esperava. Logo no primeiro Albergue pusemos à prova o nosso espírito de sacrificio: tinha más condições para pernoitar. E mais cinco Albergues esperavam a nossa passagem: uns melhores, outros piores, e lá fomos percorrendo o Caminho!, por montes e vales.
Foram 7 dias,  200km, uma mochila com uma muda de roupa, e o essencial. Aguentamos um sol escaldante, muitas subidas dificeis. Por vezes pensei que íamos desfalecer, outras vezes davamos força um ao outro. Também é assim no nosso dia a dia! É muito importante a presença de Deus na nossa vida, por isso, todos os dias, aproveitamos alguma paragem para descansar e fazer uma oração espontânea. Tantas vezes meditámos tendo como cenário a deslumbrante Natureza! Tivemos tempo para tudo, partilhamos o tudo e o nada... Rimos,  choramos, silenciamos e acolhemos as diferenças... E quando o cansaço nos venceu, parámos para dar graças. E demos graças por aquele momento, pela nossa família, pelos amigos, e por todas as pessoas que se cruzavam connosco e nos desejaram BOM CAMINHO!
Porque a Caminhada, continua...
 
 [Esmeralda Balinha | Hospitaleira do Albergue São João da Cruz dos Caminhos]
 
P.S: Em breve teremos a crónica da sua caminhada!

domingo, 30 de setembro de 2012

Relato da Peregrinação de uma família carmelita (VIII)


O ensinamento que todos nós aprendemos é que peregrinar é caminhar em direção a Deus, e sempre que o fizermos, o façamos da forma mais simples e humilde, levando sempre connosco a graça e a Luz de Cristo, bastando-nos só o que Deus nos dá: alegria e paz!
Em termos económicos podemos dizer que partimos de casa com cerca de trezentos euros no bolso, erámos quatro pessoas e tínhamos que tomar os pequenos almoços, pagar as dormidas sempre que tínhamos albergue, almoço e jantar, durante dez dias. Este dinheiro tinha que chegar até ao dia 24, pois era quando o João voltaria a receber. Foi complicado, mas tudo superamos.
No dia 24 já nos sentíamos um pouco melhor, foi caro mas foi bom. Esta peregrinação não nos serviu de férias, serviu-nos de tempo de reflexão, de encontro, de partilha, de serenidade, paz de espirito… Tudo isto eu, o João, o Simão e a Rita estávamos a precisar deste tempo.
E quando na nossa vida caminhamos todos na mesma direção: Jesus Cristo, tudo vale a pena. O Cansaço, as lágrimas, a fome, a sede, o caminho em si, mesmo quando surgem dificuldades, Ele e para Ele tudo vale e se supera. E Ele o condutor e o protetor da minha vida e da vida da minha familia.
Ao terminar o nosso testemunho gostaria de dizer que ao longo da história o Homem foi sempre comparando a sua vida a um caminho, um percurso que tem que percorrer. Ao percorrer um caminho há oportunidade para refletir, pensar e idealizar o caminho que queremos percorrer na nossa vida.
O caminho até santiago de Compostela não é exceção. Percorre-lo é ao mesmo tempo, caminhar sobre uma longa estrada de estrelas carregadas de histórias, tradições e magias… Que todo aquele que se faz ao caminho, desperte toda a sua atenção, pois o caminho dá aos peregrinos sensações únicas.
No caminho até Santiago, devemos estar sempre alertas, pois até o sussurro do vento pode ter algo para nos dizer…
 
Até sempre;
Júlia e João Montes

sábado, 29 de setembro de 2012

Relato da Peregrinação de uma família carmelita (VII)

 
A etapa que mais custou foi a do primeiro dia, entre Viana e Caminha, porque levávamos demasiada carga, e o calor era imenso, e íamos com ideia de chegar a horas ao albergue, até que devido ao calor e ao cansaço o João sentiu-se mal, foi um pouco complicado, mas não podíamos fracassar de maneira alguma. No dia seguinte lá continuamos caminho. E já era tanta a boa disposição que passamos a manhã a comer cerejas.
Muitas e variadas coisas que cada um de nós podia guardar no coração, muitas mesmo, mas o que de mais profundo nos ficou foi Jesus Cristo.
Porque em tudo Ele esteve presente, senão vejam:
Sempre que o cansaço era muito e o calor apertava Ele punha sempre ao nosso jeito uma sombrinha para nos proteger do sol que queimava. Quando a água das garrafas acabava, o Senhor Jesus nos colocava as nascentes de água fresca, saída da montanha para matarmos a sede que por vezes nos incomodava, até para nos abstrair dos quilómetros que ainda faltavam, nos enviava a boa disposição, e na mais completa gargalhada eu fazia cerca de uns cem metros para trás, só porque tinha deixado no banco uma tampa. Mesmo quando chegávamos aos albergues e as portas nos fechavam, porque estavam cheios e tínhamos que dormir ao relento, aí se encontrava Ele. dormia a nosso lado para que nada nos acontecesse.
Pela manhã não tínhamos hora para levantarmos, porque um dia nos deitávamos mais cedo outro mais tarde, por vezes não tínhamos sono e ficávamos a conversar sobre as peripécias do caminho.
Eramos sempre bem recebidos pelas pessoas que encontrávamos no caminho e nos locais onde parávamos, as pessoas saudavam-nos com carinho, eram afetuosas, desejavam-nos sempre um bom caminho e tudo de bom.
Nós fizemos o caminho português da Costa até Santiago e desde o segundo dia até ao quarto dia tivemos alturas que fizemos quilómetros e quilómetros de caminho sem ver ninguém, apenas de um lado montanha e do outro lado o mar imenso, calmo e suave. Era só andar, andar, e não víamos ninguém. Se tivéssemos fome ou sede era muito complicado, porque o remédio era aguentar até quando encontrássemos um lugar onde pudéssemos petiscar alguma coisa.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Thank you!

Relato da Peregrinação de uma família carmelita (VI)


A etapa mais bela foi quando… (lá se encontram as lágrimas outra vez, louvado seja Deus!) Dizia eu que a etapa mais bela foi quando chegamos os quatro à frente da Catedral de Santiago com as camisolas do dia da Família carmelita vestidas. Pousamos os cajados no chão em forma de concha e com a voz forte cantamos o hino nacional, para de seguida de mãos dadas entrarmos na catedral. Na catedral do silêncio onde o Senhor nos aguardava, foi um belo e magnifico momento. Eu, nem sei mais como o descrever. Um encontro belo que em mais nenhuma outra vez tínhamos tido com Jesus Cristo. Era o Senhor que ali estava que nos recebia no seu abraço de Pai. O João com os olhos cheios de lágrimas dizia: «á sombra das Tuas asas me recolho e descanso. Eis-nos aqui Senhor!»
Ali estivemos uma infinidade de tempo, não conseguíamos articular palavra tal era o assombro. Era uma imensa paz que sentíamos.
Fomos depois à oficina do Peregrino para nos ser atribuída a Compostelana, escrita em latim. Eu a Rita e o Simão aguardávamos já cá fora, com uma imensa fome, e as posses para nos alimentarmos era poucas. Jesus nos envia um homem, que ao chegar à nossa beira diz que nos tinha visto a caminhar, e que nós devíamos estar com fome. Trazia-nos algo de comer. Tortilha e empada de frango. - Aceitai, eu ficaria muito contente. Dizia-nos. Aceitamos. Quando o João chegou, perguntou quem nos tinha dado de comer. Eu apenas disse: - Foi o Senhor, João, através daquele senhor que está do outro lado da rua! Lá se encontrava o Senhor e a respetiva família. Foram momentos que jamais esqueceremos, disso tenho a certeza.
Desde o primeiro dia da peregrinação que tomamos a ideia firme de rezarmos todos os dias, várias vezes ao dia porque mesmo em casa já é hábito rezarmos e todos os momentos os fazíamos. Bastava passarmos por uma igreja, mesmo que estivesse fechada. Ficávamos à porta e cada um de nós fazia uma oração. Os nossos pedidos ao Senhor e à Nossa Senhora do Carmo, a Santa teresa de Jesus e a S. João da Cruz. Rezamos sem cessar para que eles intercedessem por nós junto de Deus.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

E assim, fazemos caminho!

 
 
Obrigada António Fernandez pela partilha no facebook
Adelante peregrino...

Relato da Peregrinação de uma família carmelita (V)



A última etapa foi esta. Estávamos a chegar a Santiago, quanta emoção, quanta alegria, quanta paz. Neste dia não andávamos, voávamos. Durante sete dias fomos pássaros voando pelos caminhos de Santiago e Jesus Cristo, Senhor da vida e de tudo lá estava à nossa espera para nos acolher no seu braço terno.
Já em Santiago, pernoitamos duas noites no Monte do Gozo, isto é a 5km da cidade, foi muito bom, fomos acolhidos muito bem, tínhamos banho quente, cama limpa e muito sossego.
O Monte do Gozo foi o lugar ideal para num clima de paz e serenidade em silêncio conversarmos com o Senhor e lhe dizer que para o ano tudo faremos para vir novamente a Santiago. Desculpem a letra tremida, mas são as lágrimas de emoção e de muita saudade que me atrapalham um pouco a visão.
As nossas mochilas eram demasiado pesadas, passado já um mês e meio agora vejo que exageramos em relação à roupa que levamos, assim como outros pertences, que nos dificultaram um pouco o caminho, mas mesmo assim, quando passamos em Vila Praia de Ancora, fomos a casa do nosso filho João e deixamos lá uma boa parte das coisas que iam a mais. Reduzimos ao extremamente essencial, ao ponto de levarmos nas mochilas só uma muda de roupa e um sabonete para o banho sempre que era possível. E a roupa que ia no corpo, a documentação e as credenciais que carimbávamos pelos locais onde passamos e parávamos para pernoitar.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Relato da Peregrinação de uma família carmelita (IV)


No dia seguinte caminhamos para Padron, era uma nova etapa, o calor era imenso, o cansaço era muito. A Rita e o Simão, já se ressentiam, e também, mas o João, lá nos ía animando e dando força. Quando chegamos já nem fomos procurar albergue e por decisão de todos íamos dormir ao relento novamente e teria que ser numa relvinha fresca e macia, de preferência num jardim. E se assim o pensamos, muito melhor o fizemos. Fomos de novo ao supermercado Fraiz, compramos mais umas coisitas, atum, sardinhas, sumo, pão, leite e sempre 4 iogurtes e lá fomos para uma praça enorme, com uma relva. Instalamo-nos. O Simão pegou logo no saco cama e tratou de se instalar ao lado de um canteiro de flores, ali é que era o seu sitio, dizia ele. Mas o João achou por bem irmos pedir autorização à polícia civil, para ali ficarmos, falamos com uma rapariga e ela ajudou-nos. Contactamos a polícia e tivemos permissão para ficar ali. Aconselharam-nos a encontrar um recanto mais resguardado, era um local central e muito movimentado. Mudamos de sítio.
Mas, por altura da nossa chegada a Padrón paramos numa fonte que se chamava: Nossa Senhora do carmo, foi emocionante encontra-la ali, foi uma delícia beber aquela água, naquele dia de calor escaldante. A Virgem do Carmo acompanhava-nos desde o início da nossa peregrinação, Caminhava no nosso coração!
É muito bom dormir ao relento, podemos ver as luzes do céu, as estrelas, o silêncio da noite e aquela brisa amena que mesmo nas horas de desanimo e cansaço sempre nos acompanhava. era semelhante a um sopro muito suave, e como nos sabia bem. Entretanto adormecemos! Estávamos muito cansados. Mas eis que fomos surpreendidos por uma carga de água valente, e aí é que se instalou a confusão, o riso, a surpresa, o espanto, gargalhadas enormes ecoaram naquela praça, era tanta a boa disposição que nem sabíamos o que fazer. Eram os expressores da rega, tinham começado a funcionar nos tinham surpreendido em pleno sono, mas por mais que a água caísse, o nosso amigo Simão continuava a dormir tranquilo, apesar de toda a confusão, até que acordou e aí foi de chorar a rir com o aparto que ele fez! Arrumamos as coisas, não era preciso vestir pois dormimos vestidos e «cheirávamos a cavalo» …como dizia o Simão. Pois, nem sempre tínhamos banho. Neste dia eram seis da manhã e já caminhávamos, foi o dia em que o fizemos mais cedo.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Relato da Peregrinação de uma família carmelita (III)


Na etapa seguinte, já em Caldas de Reis, chegamos um bocadinho tarde, porque desde o início da peregrinação que íamos sem pressas, parávamos para descansar à sombra das árvores, para lavar os pés na água fresquinha que corria nos caminhos e beber também das fontes naturais que o Senhor ia colocando ao nosso dispor, mas neste dia eu, Júlia, tive também que lavar a roupa num tanque, e como tal demoramos mais algum tempo.
Neste dia, parámos no parque natural de Ria barbosa, é um local de descanso, onde pudemos dar banho e serenar um pouco, é lindo este local. Todas as pessoas aproveitam as maravilhas da mãe natureza. Por fim, chegamos a calda de Reis. Dirigimo-nos ao albergue e mais uma vez o albergue estava cheio, já não havia lugar para nós, mais uma vez dormimos ao relento, mas o Senhor que é Pai de Misericórdia, nos envia uma rapariga não sei de onde que tudo fez para que dormíssemos num local decente, menos ao relento, E o que é certo é que acabamos por dormir num apartamento só para nós. Que bem que nos soube, tínhamos banho quente, jantamos, tínhamos feito umas compritas, isto é, umas conservas de atum e sardinhas, leite para a Rita, pão e manteiga para o pequeno-almoço do dia seguinte.

domingo, 23 de setembro de 2012

Relato da Peregrinação de uma família carmelita (II)



Foram ao todo oito etapas, mas ainda não tínhamos chegado ao fim, já as saudades de tudo o que estávamos a viver naqueles dias, começavam a sentir-se. Todos os locais, paisagens, tudo o que vivemos e sentimos são de uma magia, de uma calma e serenidade que não dá para descrever, só vivendo e sentindo. Até o cansaço e as lágrimas que por vezes nos caíam pela face, até isso era um doce.
Pernoitamos uma vez na tenda que levamos na bagagem, em caminha no Albergue de Peregrinos, em Maugaz e pela primeira vez na nossa vida, fomos um grupo sem-abrigo, porque o albergue que encontramos não era para peregrinos, mas sim um albergue de turistas, e nós não eramos turistas, mas sim peregrinos, e era muito caro para as nossas posses, assim sendo continuamos a caminhar estrada fora, eram já onze horas da noite, até que por fim acabamos por dormir numa paragem de autocarro, ainda por cima fazia uma espécie de ladeira e quando dei por mim estava a dormir dentro do saco de camo no meio do passeio.
Em Mancha, voltamos a dormir ao relento nos sacos de cama por detrás de um prédio do supermercado Dia, mas para encontramos este cantinho, ainda tivemos que andar um pouco, porque para aqueles lados à noite há muita gente pelas ruas e as pessoas olhavam para nós de uma maneira diferente, e Deus nosso Senhor nos fez encontrar as traseiras daquele prédio para nos aconchegarmos.
Em Pontevedra, quando chegamos ao albergue, este já estava esgotado desde as duras horas da tarde, e nós tínhamos chegado às seis. Como o Albergue estava cheio, mandaram-nos para o pavilhão enorme que estava a acolher os peregrinos e os ciclistas que também faziam o caminho até Santiago. Tivemos que ainda andar mais um bom bocado. Estava demasiado calor e nós demasiado cansados, a Rita entrou em desespero e desatou a chorar com o cansaço e o desânimo. O Simão desatou a dizer que o pavilhão era do outro lado do planeta pois não havia meio de lá chegar e que nunca mais se metia noutra aventura peregrina como esta. Até que por fim chegamos…Acomodamo-nos nos colchoes, e fomos às comprar para comer. Os restaurantes eram demasiado caros e no bolso não abundava dinheiro, o João só receberia no dia 24, tudo era calculado.

sábado, 22 de setembro de 2012

Relato da Peregrinação de uma família carmelita (I)

 
 
Pegadas, passo a passo…
Ao iniciarmos esta peregrinação convém recordar a intenção que nos leva a fazê-la. os locais que desejamos visitar dão testemunho da devoção do povo de Deus, que aí ocorre para lá voltar fortalecido na profissão da sua fé e na pratica da caridade. mas também nós, eu, o João, a Rita e o Simão, peregrinos, devemos levar alguma coisa aos fieis que lá vivem, levamos o Carmo no coração e no pensamento a nossa fé, Esperança e caridade para todos os que moram naquele local e os que vão de fora nos edifiquemos mutuamente.
Somos:
Júlia Montes – 50 anos
João Matias- 54 anos
Rita de Cássia Montes – 11 anos
Simão Pedro Montes – 15 anos
«O Senhor Deus é a nossa força. Torna os nossos pés ágeis como os da corsa e faz-nos caminhar nas alturas.» [hab 3,19]
Senhor; vem caminhar connosco! Tu que concedes sempre a tua mesiricórdia aos que te amam e em nenhum lugar estás longe dos que te procuram, assiste-nos Senhor nesta peregrinação e dirige as nossos caminhos segundo a Tua presença protectora e iluminados de noite com a luz da tua graça te tenhamos como companheiro da nossa viagem e cheguemos felizes ao lugar do nosso destino. Julia, João, Simão e Rita.
A frase, aliás o conselho que nos acompanham durante toda a peregrinação:
Disse-nos assim o Frei João, nos claustros da Igreja do Convento do Carmo, depois de tirarmos uma foto com ele:
- Ides certamente sofrer em certas alturas, mas não desistam, porque vale a pena!
E valeu, podem crer!
Fizemos a nossa peregrinação pelo caminho Português da Costa até Santiago de Compostela, do dia 17 ao dia 24 de Julho. O que nos levou a peregrinar foi a vontade imensa de irmos ao encontro do Senhor e a certeza absoluta de que o encontraríamos. é muito bom quando conseguimos deixar tudo para trás, o conforto das nossas casas, o descanso e as demais coisas a que estamos habituados. Mochilas às costas, levando apenas o essencial, partimos, fizemo-nos ao caminho com muita alegria e paz no coração.
O João já tinha feito esta peregrinação três vezes pelo caminho português da costa e uma pelo caminho francês. Para o João esta era a quinta vez. Eu já tinha feito o caminho Português em 2004, como grupo de jovens da minha paróquia, era a segunda vez.
Quando pensamos em fazer esta peregrinação decidimos que a faríamos em família porque assim seríamos um todo, apoiáramo-nos uns aos outros. Para nós peregrinar é fazermo-nos ao caminho mas sem pressas, a fim de podermos ver e admirar todos os locais, a natureza, as paisagens e saborear de alma e coração aquela brisa fresquinha e suave que sempre nos acompanhou ao longo de todas as horas e todos os dias.
Começamos a nossa peregrinação no dia 17 de julho pelas 18h, hora que saímos de casa e nos dirigimos à Igreja da nossa paróquia, a fim de assistirmos à eucaristia e onde o Senhor Padre Fraga nos abençoou e fez também a bênção das mochilas e dos cajados.
As etapas foram as seguintes:
Darque – Viana
Viana – Caminha
Caminha – Maugaz
Mougaz – Mancha
Mancha – Pontevedra
Pontevedra – Caldas de Reis
Caldas de Reis – Padrón
Padrón – Santiago de Compostela

Relato da Peregrinação de uma família carmelita


 
A família Montes,  peregrinou este Verão até Santiago de Compostela. Comecaram o caminho em oração. Depois chegaram e escreveram um relato da peregrinação. Durante os próximos dias publicaremos o Relato da Peregrinação de uma família carmelita. Um grande obrigada a esta família por partilhar a aventura do caminho!
 
Oração do Peregrino
Apóstolo Santiago, escolhido entre os primeiros, tu foste o primeiro a beber o cálice do Senhor, e és o grande protector dos peregrinos; torna-nos fortes na fé e alegres na esperança, no nosso caminhar de peregrinos e, dá-nos o alento para que, finalmente alcancemos a glória de Deus Pai. Amén.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

E seguiram caminho...



O Caminho... mais vale senti-LO!

 
Aqui vos deixamos um belo testemunho do caminho da Cristina Malta, (voluntária hospitaleira no nosso albergue) após ter  feito pela segunda vez o caminho até Santiago de Compostela...

 
«Encontrar palavras para falar d'O Caminho é difícil... Mais vale senti-LO...
A maior parte das pessoas o faz pelos mais diversos motivos: para se conhecer melhor, por fé, para testar os seus limites físicos e psicológicos, para encontrar um pouco de paz interior... A paz interior que, por vezes, é difícil de encontrar no dia a dia apenas porque não guardamos tempo para nós... Essa paz interior que existe no nosso coração e não sentimos à custa da azáfama da vida, do trabalho, da escola, dos filhos, dos sobrinhos, da crise, do governo, do trânsito e de todas aquelas coisas que insistem em nos distrair do mais importante: o ser humano!
O Caminho tem algo de místico e mágico. É como se o próprio caminho fosse uma entidade viva que nos guia, nos protege, nos proporciona tudo o que precisamos nas mais diversas formas. Seja isso água, comida, pessoas ou experiências para vivenciarmos bem cada momento, para respirar profundamente e pensar na vida... Na maneira como a vemos e como a vivemos. Tomar consciência da nossa Humanidade e pisar o chão da melhor maneira.
Cada passo é uma atitude, cada passo é um sentimento, cada passo é uma característica pessoal... Se não olhamos para o chão e vamos distraídos tropeçamos na pedra ou no pau, metemos o pé na poça de água ou num buraco, deixamos cair um acessório, fazemos um entorse ou caímos. Se apenas olhamos para o chão medimos cada centímetro de cada passo, cansamo-nos mais, controlamos demasiado... e se o acaso fizer com que a pedra solta nos faça desiquilibrar culpamo-nos porque não foi o passo perfeito...
O melhor mesmo é escolher o caminho do meio! Aquele em que vamos de olhos abertos e conscientes no chão que pisamos, mas sem controlar tudo ao pormenor. Aquele que faz com que se nos molharmos não nos importemos, se nos magoarmos digamos "ai!" apenas as vezes necessárias e se cairmos nos levantarmos com força. Força, ânimo e alegria porque o caminho não foge... e vamos ter de o continuar. Se estivermos cansados logo já vamos repousar, se estivermos magoados a dor acaba por passar, se estivermos deliciados com a paisagem isso vai durar o resto do caminho e se estivermos alegres o coração transborda de felicidade.
É assim também o quotidiano! Aceitar o que o caminho da vida nos proporciona, lutar por aquilo que realmente vale a pena, viver a dor apenas o tempo necessário, respeitar a natureza e todos os seus seres e acima de tudo respeitar-se a si próprio!!! Absorvendo os ensinamentos das várias experiências, tomando consciência disso a cada momento e daquilo que precisamos para viver melhor....
O caminho do meio é estar verdadeiramente presente em cada passo. Se tropeçarmos aceitamos as consequências, se for o passo certo chegamos ao destino... não importa a pressa, importa chegar!
O destino??? Seja no Caminho, seja na Patagónia, na Etiópia, no trabalho, numa festa ou em casa não interessa!!!!
O destino é sabermos todos os dias que cada passo que demos na vida foi consciente e foi nosso!»
[Cristina Malta]