sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Que calma se vive no Albergue
Não temos imagens da peregrina francesa que se encontra a caminho de Santiago.
Passou por cá e deixou uma bela mensagem no nosso livro.
Que a beleza dos caminhos sejam presença no seu caminhar!
Visões
O Apóstolo São João foi realmente
um poeta extraordinário como igual
não houve depois –
nem Dante
nem Blake
nem Lautréamont.
um poeta extraordinário como igual
não houve depois –
nem Dante
nem Blake
nem Lautréamont.
Viu as coisas que são e as que serão
no mais futuro dos tempos, e que resta
a prever, a como –ver, aos repetentes míopes
que somos e não vemos o Dragão
e nem mesmo o besouro?
Viu animais cheios de olhos em volta e por dentro,
glorificando Alguém no trono, semelhante
ao jaspe e à sardônica.
Viu a mulher, sentada na besta escarlate
de sete cabeças e dez chifres
e na fronte da mulher leu a inscrição: Mistério.
Viu o Nome que ninguém conhece
nem saberia inventar, pois se inventou a si mesmo.
Os surrealistas não puderam com ele.
Viu a chave do abismo
que Mallarmé não logrou levar no bolso.
Viu tudo.
Viu principalmente o supertrágico, a explosão nuclear, e nisto me afasto dele.
Não, não gostaria de predizer o fim do mundo,
como sete taças de ouro repletas da ira de Deus
despejando-se sobre a Terra.
Quero ver o mundo começar
a cada 1.º de janeiro
como o jardim começa no areal
pela imaginação do jardineiro.
Desculpe, São João, se meu Apocalipse
é revelação de coisa simples
na linha do possível.
Anuncio uma lâmpada, não Setembro(e nenhuma trombeta)
a clarear o rosto amante:
são dois rostos que, se contemplando,
um no outro se vêem transmutados.
Pressinto uma alegria
miudinha, trivial, embelezando
em plena via pública o passante
mais feio, mais deserto
de bens interiores.
Profetizo manhãs para os que saiba,
haurir o mel, a flor, a cor do céu.
O mar darei a todos, de presente,
junto à praia, e o crepúsculo sinfônico
pulsando sobre os montes. Um vestido
estival, clarocarne, passará,
passarino, aqui, ali, e quantos ritmos
um pisar de mulher irá criando
na pauta de teu dia, meu irmão.
Oráculo paroquial, a meus amigos
e aos amigos de outros ofereço
o doce instante, a trégua entre cuidados,
um brincar de meninos na varanda
que abre para alvíssimos lugares
onde tudo que existe, existe em paz.
E mais não vejo, e calo, que as pequenas
coisas são indizíveis se fruídas
no intenso sentimento de uma vida
(são 20 ou 70 anos?)
limitada e perene em seu minuto
de raiz, de folha dançarina e fruto.
Carlos Drummond de Andrade, poeta brasileiro
(1902-1987 – 25 anos depois da sua morte)
Em caminho...
Hoje chegaram ao Albergue tres homens. 3 homens, 3 nacionalidas, 3 amigos, que traçam o mesmo caminho. Um português, outro brasileiro e outro norte-americano. Residem os tres em Madrid e nestas férias vieram até Portugal para fazer o caminho da costa. Podeiam ter ficado a beber cerveja em Madrid, ou a ver o Cristiano Ronaldo a Jogar... mas não preferiram fazer o caminho. Iniciaram no Porto e amanhã seguem o seu rumo até Caminha. A meta será Santiago de Compostela. aqui deixamos uma fota da passagem pelo Albergue.
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Guarda-me!
Guarda-me,
ó Deus,
porque
em ti me refugio.
Digo
ao Senhor:
Tu
és o meu Senhor;
além
de ti não tenho outro bem.
Quanto
aos santos que estão na terra,
eles
são os ilustres nos quais está todo o meu prazer.
Aqueles
que escolhem a outros deuses
terão
as suas dores multiplicadas;
eu
não oferecerei as suas libações de sangue,
nem
tomarei os seus nomes nos meus lábios.
Tu,
Senhor, és a porção da minha herança e do meu cálice;
tu
és o sustentáculo do meu quinhão.
As
sortes me caíram em lugares deliciosos;
sim,
coube-me uma formosa herança.
Bendigo
ao Senhor que me aconselha;
até
os meus rins me ensinam de noite.
Tenho
posto o Senhor continuamente diante de mim;
porquanto
ele está à minha mão direita, não serei abalado.
Porquanto
está alegre o meu coração e se regozija a minha alma;
também
a minha carne habitará em segurança.
.
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Viana era mais fria...
Viana era mais fria antes do Albergue de Peregrinos São João da Cruz dos Caminhos. Havia hospitalidade e os corações batiam, mas os peregrinos não tinham um poiso com sabor a descanso de peregrinação: simples e limpo, austero e acolhedor.
Inspirados
em São João da Cruz, místico cristão e afeito aos caminhos, homem celestial e
divino, e sempre homem de pés na terra e olhos no céu, decidimos lançar-nos na
aventura de abrir os braços a quem passa cansado da peregrinação da vida.
Já
fomos por aí saborear o sol e o ar, o pó e a água fresca das fontes. Já
provámos amoras e nos deitámos na relva. Sabemos bem como ao longo da
peregrinação fazem falta duas telhas, uma cama, um copo de água e sobretudo
braços abertos. É o que oferecemos. Por vezes ouvem-se as vozes dos frades carmelitas
a cantar a Salvé, outras as dos fiéis da Missa das 09:00h acompanhando a
Bênção do Peregrino. E é quase tudo. E é quase tudo, porque quase tudo é
caminho e aqui ninguém tem morada permanente.
E
que o caminho venha sempre ao encontro de cada um de nós. Ámen.
Uma excelente notícia para os peregrinos do caminho da Costa!
Albergue de Peregrino São João da Cruz dos Caminhos, (Viana do Castelo)
o albergue anterior é Albergue de Peregrinos das Marinhas (Esposende)
e seguindo caminho encontramos outro Albergue de Peregrinos em Caminha
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