Creio que esta primeira e última
palavra é Amor. Mas sei que não posso descobrir o que é efectivamente o Amor
senão decifrando o sinal com que ele se manifestou em plenitude: a cruz de
Jesus Cristo, morto e ressuscitado…
Creio que a realidade não se
constitui apenas a partir do que ela já é, fruto do acaso e da necessidade, mas
que ela deriva da uma outra
fonte e que ela é movida por uma força que provém de outro lado. Creio que o
nosso ser humano não é feito unicamente de pulsões e de desejos, mas
descobre-se como resposta ao chamamento de um Outro…
Creio no valor do trabalho que gera
solidariedade, e com o qual o homem concorre para a génese do mundo, e ao mesmo
tempo para o seu crescimento. Creio que é na oração, na adoração e no louvor
que nós penetramos no coração das coisas…
Creio que o sofrimento é um modo de ser, cuja
fecundidade não é em nada inferior à acção. Creio que depois de o homem
experimentar a realidade, e experimentar-se a si mesmo, de modo privilegiado…
eu creio que Deus estará presente nesta morte como esteve na minha vida. Creio
que ele estabeleceu a sua senhoria até ao profundo dos infernos e que não
renega na sua eternidade aqueles com os quais, em tempos, ligou-se no Amor.
[René
Marlé, Credo
(1974)]
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