quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
No silêncio da noite
No silêncio da noite, rouco de mim, esqueço quem sou…
As ruas estão cobertas de diversão e a atmosfera é densa
Sopra o vento que ao longo mal se notou
Da mesma força que esta voz intensa
Me abandonou
Dentro de mim sou apenas um esquecido
(Como é triste viver em esquecimento!)
E choro ao ver que fui vencido
Por este desconhecido sofrimento…
Em mim tudo se distância: o coração, os sentidos;
O amor da paixão, a paixão do amor…
Tudo o que vejo é cavaleiros feridos
Morrendo destemidos,
Como eu quando sou sonhador.
Mas tudo se apazigua… a noite já desaparece
Pelo silêncio das moradias.
E eu, este ser que entristece,
Não entende estas ventanias…
[Álvaro Machado]
As ruas estão cobertas de diversão e a atmosfera é densa
Sopra o vento que ao longo mal se notou
Da mesma força que esta voz intensa
Me abandonou
Dentro de mim sou apenas um esquecido
(Como é triste viver em esquecimento!)
E choro ao ver que fui vencido
Por este desconhecido sofrimento…
Em mim tudo se distância: o coração, os sentidos;
O amor da paixão, a paixão do amor…
Tudo o que vejo é cavaleiros feridos
Morrendo destemidos,
Como eu quando sou sonhador.
Mas tudo se apazigua… a noite já desaparece
Pelo silêncio das moradias.
E eu, este ser que entristece,
Não entende estas ventanias…
[Álvaro Machado]
Pequena história com sentido
Quando Gagarin fez a sua viagem
espacial na órbita da Terra, a certa altura da viagem começou a ouvir um
barulho parecido o ruído de algo a bater num cano metálico. O barulho não era
muito forte mas era ritmado e constante. Passada uma hora já incomodava. Ao fim
de umas horas tinha-se tornado insuportável e a perspectiva de passar mais 21
dias naquela cápsula minúscula a ouvir aquele ruído era de endoidecer. Então,
pensou: 'Em vez de odiar o ruído vou apaixonar-me por ele'. Imaginou aquele som
como fazendo parte duma sinfonia e passou o resto da viagem encantado com a
música que ouvia.
domingo, 2 de dezembro de 2012
Alma Enamorada (II)
«Que pedes pois e buscas, alma minha?
Tudo isto é teu e tudo para ti.
Não te rebaixes
nem repares nas migalhas
que caem da mesa de teu Pai.
Sai para fora de ti e gloria-te da tua glória,
esconde-te nela e goza,
e alcançarás as petições do teu coração. »
Tudo isto é teu e tudo para ti.
Não te rebaixes
nem repares nas migalhas
que caem da mesa de teu Pai.
Sai para fora de ti e gloria-te da tua glória,
esconde-te nela e goza,
e alcançarás as petições do teu coração. »
[São João da Cruz]
Os dois cântaros
Um rapaz vivia entre os monges do deserto
sentia-se pouco inteligente e incapaz de guardar os ensinamentos recebidos. Entristecido, procurou um velho sábio e disse-lhe:
- Apesar dos esforços constantes que faço, não chego a conservar na memória
durante muito tempo, as instruções que recebo. Vão, também, para o esquecimento
os trechos mais belos que leio, diariamente, no evangelho...
O sábio que o escutava com paciência e bondade pegou dois cântaros e disse-lhe:
-rapaz, toma um daqueles cântaros, coloca um pouco d'água, e depois
lava-o cuidadosamente. Enxuga-o com o teu próprio hábito e devolve-o ao lugar
onde estava."
Obediente, o rapaz fez exactamente o que lhe determinou o sábio.
Concluída a tarefa, o ancião perguntou-lhe qual dos dois cântaros estava mais
limpo e claro.
O rapaz tomou nas mãos o cântaro que acabara de secar e respondeu: "este,
por certo, está mais limpo. Lavei-o com muito cuidado." - disse sorrindo.
O sábio, então, retorquiu: "repara bem" - apontando para o cântaro
limpo, "ele difere muito daquele outro que não foi lavado por ti e
continua sujo e empoeirado.
Porém, embora inegavelmente limpo, este cântaro não retém mais vestígio algum da
água que o purificou.
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Cegueira no caminho
Certo dia, estava uma senhora idosa, num canto da rua,
confusa e hesitante na tentativa de fazer a travessia diante de um tráfego
intenso. Temerosa, ela não conseguia sair do lugar.
Finalmente apareceu um cavalheiro que, tocando-a, perguntou se poderia atravessar a rua com ela.
Alegre e muito agradecida, a senhora tomou seu braço e juntos partiram em direcção ao lado oposto.
Foi então que ela começou a ficar mais apavorada ao ver que o cavalheiro ziguezagueava pelo meio da rua enquanto buzinas soavam e freios eram accionados com motoristas dizendo palavras ofensivas.
Quando finalmente chegaram ao outro lado, ela, furiosa, disse-lhe:
- "Quase nos matou. Senti que caminhava como se fosse cego!"
- "Mas eu sou. Foi por isso que perguntei se poderia atravessar consigo."
Finalmente apareceu um cavalheiro que, tocando-a, perguntou se poderia atravessar a rua com ela.
Alegre e muito agradecida, a senhora tomou seu braço e juntos partiram em direcção ao lado oposto.
Foi então que ela começou a ficar mais apavorada ao ver que o cavalheiro ziguezagueava pelo meio da rua enquanto buzinas soavam e freios eram accionados com motoristas dizendo palavras ofensivas.
Quando finalmente chegaram ao outro lado, ela, furiosa, disse-lhe:
- "Quase nos matou. Senti que caminhava como se fosse cego!"
- "Mas eu sou. Foi por isso que perguntei se poderia atravessar consigo."
Subscrever:
Comentários (Atom)






