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quarta-feira, 9 de março de 2016
sábado, 20 de dezembro de 2014
terça-feira, 4 de novembro de 2014
Depressão pós-caminho
Doença ainda não estudada, mas sentida pela maioria dos peregrinos:
depressão pós-caminho!
Chegar a Santiago é o culminar de uma experiência que começa
muito antes de se pôr efectivamente os pés a caminho, com o entusiasmo e
receios próprios da preparação, a vivência das peripécias e a alegria de ter
conseguido. Cada um terá as suas motivações, algumas partilhadas e outras nos
segredos dos deuses, talvez porque nem os próprios as saibam explicar.
O regresso a casa faz-se ainda com ânimo, mas a nostalgia
aos poucos vai-se instalando. É preciso gerir tudo o que foi vivido e tentar
encaixar algumas decisões tomadas no dia-a-dia de sempre. Nós “paramos”,
podemos ter desligado telemóveis e ligação à internet, mas o mundo continuou a
girar. Pior, na sua maioria, as pessoas que nos rodeiam não atribuem grande
importância a essa experiência.
Se somos repetentes n’O Caminho, então ainda passa mais
despercebido. “Foi diferente em quê das anteriores?”, “Em tudo!”, “Tudo? Como
assim?”. Pois é, não há dois caminhos iguais: o percurso, as pessoas, a fase da
vida, o entendimento do que nos rodeia… tudo é diferente. Mas esta explicação
pouco importa, será uma minoria a passar esta linha.
Talvez por tudo isto, a vontade de estar n’O caminho, a
caminho e com “iguais”, aumente ou, pelo menos, nunca passe.
No entanto, como escreve um amigo a relembrar-me algo dito
na missa do peregrino pelo sacerdote: “on n’a fait le chemin que si l’on a
changé quelquechose en rentrant chez soi et en soi” (o caminho não foi feito se
não mudamos algo ao regressar a casa e em nós próprios). Esse é o verdadeiro
desafio e o mais difícil de pôr em prática!
Boa recuperação, caros peregrinos ;)
[http://umcaminhoparatodos.wordpress.com/]
segunda-feira, 7 de julho de 2014
domingo, 26 de janeiro de 2014
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
domingo, 29 de dezembro de 2013
sábado, 23 de novembro de 2013
domingo, 17 de novembro de 2013
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
Por todos os caminhos do mundo!
A minha poesia é assim como
uma vida que vagueia
pelo mundo,
por todos os caminhos do mundo,
desencontrados como os ponteiros de um relógio velho,
que ora tem um mar de espuma, calmo, como o luar
num jardim nocturno,
ora um deserto que o simum veio modificar,
ora a miragem de se estar perto do oásis,
ora os pés cansados, sem forças para além.
Que ninguém me peça esse andar certo de quem sabe
o rumo e a hora de o atingir,
a tranquilidade de quem tem na mão o profetizado
de que a tempestade não lhe abalará o palácio,
a doçura de quem nada tem a regatear,
o clamor dos que nasceram com o sangue a crepitar.
Na minha vida nem sempre a bússola se atrai ao mesmo
norte.
Que ninguém me peça nada. Nada.
Deixai-me com o meu dia que nem sempre é dia,
com a minha noite que nem sempre é noite
como a alma quer.
Não sei caminhos de cor.
[Fernando Namora, in 'Mar de Sargaços' ]
pelo mundo,
por todos os caminhos do mundo,
desencontrados como os ponteiros de um relógio velho,
que ora tem um mar de espuma, calmo, como o luar
num jardim nocturno,
ora um deserto que o simum veio modificar,
ora a miragem de se estar perto do oásis,
ora os pés cansados, sem forças para além.
Que ninguém me peça esse andar certo de quem sabe
o rumo e a hora de o atingir,
a tranquilidade de quem tem na mão o profetizado
de que a tempestade não lhe abalará o palácio,
a doçura de quem nada tem a regatear,
o clamor dos que nasceram com o sangue a crepitar.
Na minha vida nem sempre a bússola se atrai ao mesmo
norte.
Que ninguém me peça nada. Nada.
Deixai-me com o meu dia que nem sempre é dia,
com a minha noite que nem sempre é noite
como a alma quer.
Não sei caminhos de cor.
[Fernando Namora, in 'Mar de Sargaços' ]
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